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A sala de gravação do Estúdio Stalo em pixel art: um guitarrista sentado toca, com a pedaleira no tapete

Manual prático de gravação para bandas independentes

O que fazer antes, durante e depois de entrar no estúdio.

É foda como banda independente não se registra. Muita banda boa fica sem gravação por falta de acesso a estúdios ou desinformação. Estúdios por muito tempo foram ambientes inacessíveis para artistas independentes. Produtores musicais escondiam seus segredos, engenheiros de gravação não falavam das suas fitas magnéticas, e esse véu de mistério da figura do estúdio se manteve por muito tempo. Com o surgimento dos home studios e o aumento da oferta de espaços de gravação, o acesso à captação se tornou mais viável, porém pouco ainda se fala do que fazer nesses espaços e de como gerir um processo de produção musical em estúdio.

Registro é resistência, e é com isso em mente que preparei esse manual prático, tal qual o Ed Motta no Manual Prático para Festas, Bailes e Afins. Ele vai crescer aos poucos, em textos e posts, e este é o primeiro. Espero que no fim desse texto consiga agregar algum conhecimento sobre produção e sobre como lidar com estúdios.

Alguém na banda cuida da produção

Em – quase – toda banda tem divisão de funções: quem cuida do dinheiro, quem cuida do Instagram, quem está na frente do palco, quem tem mais jeito pra cada coisa. A produção musical também é uma função, e vale ter alguém olhando pra ela: o caminho da música até a gravação, e da gravação até a obra pronta.

A produção começa antes do estúdio

Ela começa na composição e nos ensaios, antes de qualquer som entrar no computador. Gravem os ensaios, as boas passadas, nem que seja a voz e o violão no celular. Quanto antes vocês escutarem a música como ouvintes, e não como quem toca, melhor. Se afastar dela e voltar faz bem pro processo.

Uma demo, mesmo caseira, mostra o que está fora do lugar antes de vocês pagarem a hora da sala.

Antes de marcar, a música mapeada

Cheguem com a música fechada (ou pelo menos o mais fechada possível): o arranjo, a estrutura, o andamento e o tom decididos. Ajuda muito mapear a canção, com o BPM, estrutura e convenções, numa cifra, numa partitura ou num desenho da música que oriente todo mundo que vai gravar.

Dá pra começar a gravar com o arranjo ainda aberto. O estúdio muitas vezes traz ideia nova, e ela pode e deve entrar; quanto dela cabe depende do tempo de sala que vocês têm. Por isso, o melhor é chegar sabendo exatamente o que fazer.

E ensaiem no metrônomo (caso haja metrônomo na música). Quem trava no clique seco pode começar com um beat de bateria no andamento, mas o bom é gravar no clique. Tem exceção, e isso se conversa com quem vai produzir.

Planejar a gravação

O orçamento é do disco, ou do single, inteiro, e não só da hora de estúdio: músicos, sala, edição, mixagem e masterização. Capa e divulgação entram em outra conta, a da produção executiva. Planejar é o que faz o registro caber no bolso, e pagar a hora de um estúdio pode tornar viável gravar o que vocês têm.

Depois, o roteiro do dia: o que vai ser gravado e em que ordem. Contem o tempo de trocar de sala e o do almoço. Conheçam o equipamento do estúdio: chequem o backline e o rider. Se for alugar equipamento, confirmem a entrega. E o instrumento em dia: regulado, com pele e cordas novas, e baqueta sobrando pro baterista.

Um por vez ou todo mundo junto

Dá pra fazer diária de bateria, gravar com a banda toda plugada ou um instrumento por vez. Dependendo do quanto vocês estão seguros da proposta e da tocada, cabe muita coisa numa diária.

Gravar um por vez pede uma guia: uma gravação com a estrutura e os acordes, pra cada instrumento gravar por cima. Tocando junto, pode ser todo mundo na mesma sala ou em salas isoladas, com contato visual. Aqui no Stalo a gente tem salas isoladas e consegue gravar mais de um instrumento por vez. Com o resto da banda na linha, a bateria grava numa sala e a banda em outra.

Opinião polêmica, mas: a banda inteira em todas as sessões nem sempre ajuda. Tem dia em que só precisa estar quem vai gravar.

Quem cuida dos arquivos

Decidam antes quem vai lidar com a parte digital: quem fica com as faixas, quem abre a DAW.

Quem vai finalizar?

Eu costumo dividir a finalização em três etapas.

A edição é um dos processos mais importantes da produção musical. É nessa etapa que afinamos aquela nota desafinada do vocal, botamos o bumbo no tempo e ajeitamos qualquer erro que possa atrapalhar a experiência auditiva do ouvinte.

A mixagem é onde juntamos e misturamos todos os sons da música e achamos o lugar de cada um: o volume, o timbre, o que fica na frente e o que fica atrás, o que soa de um lado ou do outro, e o espaço em volta de cada instrumento. É ela que faz a música soar como uma coisa só, no ponto pra ouvir.

A masterização é o acabamento: deixa a música no volume e no equilíbrio certos pra soar bem em qualquer lugar, do fone ao som do carro, e coerente com as outras faixas do disco. É ali também que se prepara o arquivo final que vai pras plataformas.

Cada uma dessas etapas tem profissionais especializados, mas elas podem e devem ser experimentadas por algum membro da banda que gostaria de aprender as funções. Eu comecei assim, hehe. E quem faz entra nos créditos.

Registro é resistência

No fim desse caminho está a música de vocês gravada. Registro é resistência.

— Arthur Jatene

Gravar no Stalo

Agora vocês já sabem o que fazer. Quando a música estiver pronta pra gravar, a sala do Stalo pode ser alugada por hora ou em pacote. Ficou alguma dúvida? Conversem com a gente, que a gente tira. E sigam o @estudio.stalo no Instagram, que é onde a gente mostra o que está gravando.

Deixa a gente conhecer teu projeto.